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quarta-feira, fevereiro 15

Isso assim

Eu acho engraçado como isso funciona.

Assim;
primeiro tão forte, depois mais nada
nem palavra
nem bola.
Estranho. Sem graça.

E aí volta
primeiro meio nada e então intenso
e depois perdido
e depois sentido. E então de novo.

Com todas as palavras.
Com a graça de um desejo torto.
Forte. De tudo.
Daquela coisa toda que era como o que é agora.

Assim. primeiro queima e depois acalma.
Depois esquenta.
E depois sara.



Eu sempre achei engraçado como isso funciona.

segunda-feira, outubro 24

Tá frio, tá quente

A gente vai continuar passando a vida inteira à procura de alguma coisa que não deveria estar lá. Aí, como faz? A gente vai continuar olhando para os dois lados antes de atravessar a rua, mas não vai aprender a olhar para trás e correr de volta para dizer que  sente muito, que sente saudades - que sente alguma coisa. A gente vai fingir que não se importa e vai seguir andando, sempre em frente. 

Só que não há problema em andar para trás, de vez em quando.

A gente precisa assumir nossos joelhos ralados, admitir nossos tropeços. Vamos andar para todos os lados. A gente pode até continuar procurando alguma coisa que não está na nossa vida, mas pelo menos essa busca vai nos mover em alguma direção. E a gente precisa aprender que não importa a direção; importa é seguir caminhando. 

E chegar onde quer que seja. 

sábado, setembro 10

Coletora de prantos

Ela o encontrou sob efeito de um choro sentido, magoado. Estendeu os braços e amparou os olhos úmidos com seu lenço perfumado, sentou-se ao lado do corpo choroso do amigo e deu três tapinhas nas costas do pobre - como se dissesse "eu sei, eu sei". Ele sabia que ela não sabia o porquê de nada, mas confortou-lhe o fato de ela saber o quanto ele precisa dela naquele momento. 

[Em tantos momentos.]

Ela tinha certeza de que tristezas precisam ser divididas, mas não sabia como fazer para dividir as suas. Ela não queria também a tristeza dos outros, mas a tirava dele e a jogava fora - para longe de ambos. Tristeza já basta a própria - ela não se tornaria uma colecionadora de lágrimas alheias. Ela não choraria o teu choro, mas aliviaria a tua dor. 



Havia métodos de livrar as pessoas das coisas tristes - métodos que nunca funcionaram com ela - mas eram eficientes com outros corações. Com ele, usava um especificamente: escrevia as dores do amigo e enviava para um endereço qualquer, sem destinatário nominado, e sem esperança de que chegasse a qualquer lugar. Mandava para longe para ter certeza de que a carta se perderia no caminho. Escreviam juntos os prantos doloridos e, então, um deles estaria livre do pesar. Ela enrolava a carta e selava um episódio sofrido de alguém. Alguém que não era ela.

Nenhum método nunca lhe fizera efeito. Esforçava-se, visivelmente, mas a menina não sabia dizer o quanto doía o que. Ela tentava e punha-se a rabiscar o papel, mas o voto de silêncio da mão não deixava nada sair de dentro dela. As canetas não escrevem nada além do que os dedos dizem. Mas os olhos choram muito mais do que a consciência entende. Ela ainda não aprendera a abrir o coração para alguém que pudesse retirar de lá o peso das lágrimas.

[Por isso ela segue sorrindo desse jeito que você conhece.]

quarta-feira, julho 27

- Bom dia, Dia

Bom dia aos pedidos e às preces ignoradas, às amizades distanciadas. Bom dia aos passos trôpegos, sem direção nem sentido. Bom dia aos sentidos perdidos, aos faróis apagados, aos carros assassinos. Dia dos olhos vidrados, dos sonhos, dos braços sem vida; das bocas mordidas. Bom dia aos dias de sempre. Da vida de sempre. Da vida de ontem igual a das próximas duas semanas; igual aos dias de dois meses atrás e iguais aos próximos anos de vida. Bom dia, mundo real. Bom dia, rotina de merda.

Bom dia, tristeza.

segunda-feira, maio 23

Nostalgia - I

Hoje eu sonhei contigo, e não foi sonho bom. Estavas jogando o futsal, que tanto gostas, e de repente foste atingido. No sonho eu insisti que tu viesses comigo - porque tu não querias sair da quadra por nada; devia ser final de campeonato - e te carreguei pro hospital. Tinhas a perna quebrada. Te fizeste de forte e não reclamaste de dor nem uma vez, mas tampouco abriste a boca para falar coisa alguma. Eras tão orgulhoso quanto me lembro. Aliás, tu eras exatamente do jeito que me lembrava, de quando eu te vi pela última vez, há dois anos atrás. Não me dei conta de que já faz tanto tempo, até hoje.


Acordei nervosa. Não gosto de quando sonho algo ruim para pessoas que não vejo constantemente. Parece com um aviso, como um lembrete. Algo como "se tu ainda te importas, por que ficas tão longe?" e eu não tenho uma boa resposta para dar. Eu ia te ligar, juro que ia. Mas teve aquele dia que eu decidi que tu não fazias mais parte da minha vida, e apaguei teu número da memória.

Maldito dia.

domingo, abril 10

Hard to explain

Tem vezes que a gente quer e é pra agora. Ou quer mas é só por uns dias - ou pra vida toda. Mas de repente a gente não quer mais. Só.
Não quer porque passou a vontade. Assim.

Mas eu preciso te dizer que tem vezes que a gente mente. E mente só por mentir.
Brinca de falar verdade brincando, de falar mentira a sério. Mente de ser o amor que não sente e de ter vontade do que quer. Tem vezes que a gente mente porque é mais fácil. Assim. Mais sincero mesmo. Mente porque tem vezes que a gente quer pra sempre, mas diz que quer pra depois - e que o depois já passou.

Então eu te digo que talvez eu não queira mais, e que, quem sabe, eu possa mentir. Porque tem vezes que a gente só decide: escolhas das vezes que a gente resolve que é a nossa vez de jogar.

E essa é a minha vez.


[Hard to Explain - The Strokes]

domingo, março 20

Condicional

Caso você não venha,
não me avise e
nem me conte. Não me diga.

Caso você desista,
não me obrigue. Não me briga.
Não me leve
ou me largue

Não me mate [aos poucos]

Caso você não venha,
não exista. Apenas
não exista.

quarta-feira, fevereiro 16

"This is not your meant to be"

Às vezes a gente acha que não adianta fazer planos ou mesmo ter sonhos. Aquele momento, quando você grita pra si mesmo e não ouve resposta, a não ser o eco do seu próprio questionamento. Eco, porque não há nada lá dentro. Porque é vazio e você até mesmo se acostumou com aquilo. Não é difícil acostumar-se com o nada, afinal. É fácil, como andar pelo mesmo caminho todos os dias, como sorrir para as mesmas pessoas todos os dias; como responder "bom dia" a quem te cumprimenta dessa maneira. É como respirar.

Tantas vezes já me convenci de que meus planos são nada além de devaneios que nunca serão realizados. Todos projetos condenados a permanecer nos arquivos da minha consciência. Mas eu não quero mais respirar dessa maneira: esse ar viciado, pútrido. Eu me recuso. Talvez o nada não seja adequado para uma consciência inquieta, e quem sabe o vazio deva esvair-se.

Quem sabe eu deva acreditar nas quimeras.

segunda-feira, dezembro 27

Dos nomes

Eu não gosto deles. Acho que nomear personagens faz com que elas sejam simplesmente o nome que carregam, como se eu visse alguém e decidisse escrever sobre essa pessoa e ela não significasse nada além do que eu digo que significa. Eu não gosto dos nomes difíceis, eu não gosto dos nomes em pessoas que não existem.

Eu gosto dos pronomes. Os pessoais, os relativos, os oblíquos e os mentirosos. Os que não dizem nada, os que me dizem que pode ser eu ou tu, ali, brincando de ser qualquer coisa. Eu gosto. Dessa incerteza, dessa volubilidade; preciso dela.

Quando nós cansamos de ser quem somos, corremos para um pronome - para sermos outros. Então misturo. Eu sou GabriEla.

sábado, dezembro 25

"Boston"

Ela poderia ter feito tudo certo, se tivesse tido a chance. Nenhum plano, nem esperanças, apenas ela fazendo que o tinha vontade. Se tivesse tido a chance de fazer, teria dado certo. Mas você não a conhecia por dentro, então como poderia saber? Como poderia saber que ali, vestindo um jeans e uma blusa discreta, desfilava o melhor presente que você já desejou ganhar? Não poderia, por isso ela não conseguiu trazer um sorriso para você vestir. Por isso a blusa passou desapercebida pelos seus olhos.

Você fez isso errado, sabia? Mas quem sou eu para dizer. Eu também não a vi. Quem veria? Um par de jeans e uma blusa sem cor, quem adivinharia que ela faria tudo certo... Mas você poderia ter tido mais sorrisos, se ela tivesse tido a chance. Sem dívidas entre você e ela.

Agora ela está com uma mala pronta, tão cheia que você não cabe nela. Você vai ficar para trás. E ela vai partir a qualquer momento.

E então, quais são os seus planos?
I think I'll get a lover and fly'em out to Spain
I think I'll go to Boston,
I think that I'm just tired
I think I need a new town, to leave this all behind
I think I need a sunrise, I'm tired of the sunset
I hear it's nice in the summer some snow would be nice... oh yeah
[Augustana - Boston]

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e enquanto eu escrevi o meu texto, o André Lacasi escreveu o dele, ambos inspirados na mesma música. Confere o post "Mas a verdade" no blog Espelho e Reflexo. : )

E a Gabi Luz, desafortunada com a mesma vibe que eu e o André dividimos, publicou o texto dela tbm =D Olha lá no blog Inocente Luz a postagem I thik I'll go to Boston.

segunda-feira, abril 26

Mudando

Novo layout para atrair coisas novas.


Não me pergunte que coisas são essas, ok?
Boa semana.

sábado, abril 10

"As coisas como são" - I

Prometo minha postagem sobre o tema Palavras em breve; é que a coisa está meio corrida nesse fim de semana, e eu não posso deixar de ir ao jogo do Inter. xD

Esse post é só para expressar minhas conclusões sobre o churrasco de ontem, com os amigos do trabalho: é cada coisa que vou te dizer... entre cervejas, caipiras, misturas, tapas, xingamentos, risadas e "chamamentos de Hugo" (se é que você entende o que quis dizer) você conhece o lado desconhecido dos seus colegas de serviço, e, sinceramente, NÃO PODE deixar de folgar em todos eles depois.

Como já disse a minha inocente colega (de trabalho, área e nome) Gabriela, foi tenso.

Sem mais comentários.

terça-feira, janeiro 5

Inaugurando

2010 chegou. Finalmente.

Esse ano eu não tenho um plano. Não tenho ideia do que será de mim daqui a, sei lá, um mês. Tudo depende de como as coisas acontecerão nos próximos dias. E não há como imaginar o que vai acontecer. Tudo pode acontecer. E nada também. Nada que mude as coisas ou tudo que as deixe iguais. Nada do que era ou tudo diferente. Que seja. E que aconteça.


Planos, agora, eu deixo de lado. Vou viver e já volto.

quinta-feira, dezembro 31

NEW Year

Hoje é o último dia do ano, como todo mundo sabe. E eu não tenho muito o que dizer, não. Acho que só vim desejar um Ano Novo novinho mesmo; diferente, inusitado, com boas surpresas. Sejamos felizes.
Amanhã a gente recomeça.

Que venha 2010. E que seja bom.
Até o ano que vem.

quarta-feira, dezembro 2

Unnamed

Perdi o prazo.

Essa edição do Postagem Temática me escapou. E olha que eu queria ter participado, apesar de não saber direito o que classificar num top 5. Das coisas que eu quero, agora, só consigo pensar em uma: FÉRIAS. Isso que eu tive seis meses de intervalo entre as férias de verão e o início das aulas. Aliás, eu quase enlouqueci nesses seis meses; muito tempo sem ocupação é algo que me deixa nervosa. Mas, agora, férias vão bem. Muito bem, eu diria.

Tempo me faltou. Ou melhor, eu não consegui aproveitar o que eu tinha. Incompetência minha ou aflição³ de bixo perante as primeiras provas da faculdade. Elas acabaram comigo na semana passada. Ah, mais uma coisa que eu queria: um fim de semana sem ter de ler ABSOLUTAMENTE nada que eu não quisesse. Os meus 2 últimos fins de semana não existiram; cheguei na segunda com as mesmas olheiras de sexta. E, mais uma coisa, eu queria dormir 10 horas, sem intervalos, acordar com o celular despertando, poder desligá-lo e dormir mais algumas boas horas.

Na próxima edição do Postagem eu participo. Estava sentindo falta de ter esse tempinho de dar o ar da graça por aqui =D

E eu realmente não tenho nada de interessante pra dizer; fico por aqui, então. Aguardo o próximo tema e inspiração pra próxima postagem.