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quarta-feira, julho 4

Sobre mais um pouco

Vamos falar sobre vícios. Sobre essa mania de querer ter mais do que se prova em uma vez. Vamos falar sobre o quão bom é saciar uma vontade, uma urgência. Sobre o prazer que toma conta do corpo e faz você acreditar que a vida é boa e que as coisas vão dar certo.

Mas veja, estamos falando sobre vícios.

Vamos passar da fase em que você acredita que não depende de nada. Vamos ir direto no ponto em que você não consegue mais ficar sem alguma coisa. Vamos falar de vontades insaciáveis, de urgências nunca acalmadas. Vamos falar sobre o todas coisas que você faz para conseguir mais um pouco do que precisa. E de repente mais um pouco, e mais um pouco, e tudo quanto for é muito, muito pouco.

Estamos falando sobre descontrole.

Vamos falar sobre vícios. Não sobre drogas ou substâncias específicas. Sobre vícios, apenas. De qualquer coisa; de coisa e de pessoa. Vício de gesto, de companhia, de contato. Vamos falar sobre confundir as coisas todas e sobre o quão longe você vai por isso. Por mais um pouco. Só mais um pouco, para um dia melhor.

Estamos falando sobre não haver melhor.



Na verdade, você sabe exatamente sobre o que estamos falando.

domingo, abril 15

Coisas a menos

É porque tem coisas que são assim mesmo. São coisas com as quais você vai lutar e lutar para no fim entregar os pontos e erguer uma bandeira branca. Um de vocês sempre vai. Mas é só porque tem coisas que são assim mesmo; feitas de outras que também são desse jeito.

Eu queria que tu lembrasses que nem todas as coisas são como essas. Que tem coisas diferentes por aí, e que tu estás perdendo. Mas um de nós sempre vai. 


Eu me pergunto por que sou sempre eu quem perde mais.

quarta-feira, março 21

Caso você leia

Eu queria mesmo que você soubesse que seria bom se você falasse comigo. Sabe, sem galho. Eu sei bem o que aconteceu e não me preocupo com os porquês; eu só queria saber se está tudo bem ainda. Claro que não foi como eu queria, e claro que isso me chateia. Mas eu sei que a culpa foi minha também, e que em certas situações a gente simplesmente não pensa direito quando faz as coisas.

A verdade é que eu fiz uma aposta e perdi. E por ironia eras tu quem reclamava por ter recebido a resposta que não queria. Acho que não foi uma noite boa para respostas.

A verdade é que ambos saímos perdendo.

 

segunda-feira, fevereiro 13

Sistemática

É porque não é assim que as coisas funcionam. É porque não basta você ter o plano perfeito e calcular todos os movimentos necessários para chegar lá. Você não abre um sorriso e simplesmente vai confiante de que nada vai sair dos trilhos.

A vida não tem trilhos.
Não sei por que você insiste em esperar que as coisas andem sobre eles.

terça-feira, outubro 11

Vai e vem

Agora você vai se deitar ao meu lado e eu vou fingir que acreditei na sua história. A noite será longa e cansativa, mas, no fim das contas, ambos estamos sendo usados. Que seja. Vamos combinar, então, que você também pode fazer de conta que não conhece os meus fantasmas, e eu prometo que da minha boca não sairá uma palavra maldosa. Nem uma coisinha que possa te deixar desconfortável. Mas não tente fingir inocência, que esse jogo já acabou faz tempo.

Tudo às claras. Temos um acordo: você me ajuda a relaxar enquanto eu fico falando sobre futilidades, e eu ajudo a sua consciência a descarregar o peso. É uma via de mão dupla, querido.

Sempre foi.

sexta-feira, junho 24

Dos muros internos

De tudo me sobraram receios e algumas certezas. Mas o quão sólidas são elas, não sei. Assim como não digo que ainda temo de verdade tudo que ficou comigo naquele dia. Tudo que eu deixei que ficasse aqui dentro. Aqui nesse maldito lado de dentro.

Do lado de dentro eu conheço pouco. E também confesso que não quero saber dele tanto. Sei bem o quão perigoso é arranhar as paredes que construo. Os muros sempre têm um propósito de existir, e os meus não são como os de Berlim. São muros de proteção, não de separação. São as paredes da minha segurança. Aqui do lado de dentro tem até arame farpado; vai que eu resolva que quero pular pro outro lado. Pro lado mais escuro do lado de dentro.

Das certezas que me restam, creio em duas: serei forte até onde der, e curiosa enquanto for saudável.

sexta-feira, junho 17

Covarde

Pegou seus braços e seus beijos, seus colos e seus medos, pôs na mala e partiu. Levou consigo um retrato, dois pares de camisas e três outras mudas de roupa. Não iria para tão longe, nem demoraria tanto tempo. Pegou seus olhos e seus cheiros e guardou ao lado da carta que um dia ela lhe escrevera. Sentiu o calor da casa fria. Sentiu o alívio acomodando-se no canto da sala e acenando levemente com a mão. Sorriu de volta e partiu.

Preparou seu discurso, escolheu suas palavras; tentou bravamente ser maldoso e dizer tudo tão rápido quanto ela lhe dissera seu adeus, mas sabia que falharia assim que pusesse seus olhos sobre os olhos dela. Sobre ela. Na verdade, sabia que quando ela estivesse sobre ele não haveria palavras a serem ditas. Sua sintonia nunca fora expressa em texto. Sintaxe. Mas sentidos.

Quando a viu, pegou seu braços e seus beijos, a pôs no colo e partiu. Sem levar novas camisas - e deixando a muda de roupa pelo chão - ambos foram longe, demorados. A mistura dos cheiros, a cumplicidade nos olhos. Sem cartas ou palavras, apenas retratos de lembranças.


Retratos guardados em prateleiras invisíveis.
E de mentira.
Porque ele nunca teve coragem de pedir explicações sobre aquela carta.

sexta-feira, maio 20

Das causas

Foi por causa das coisas que eu não disse quando olhei nos teus olhos e vi que não havia reflexo de mim na beirada. Por causa dos olhos que claramente gritaram "tu não moras aqui!" quando me viram. Pode ter sido por causa do meu silêncio na tua boca. Muda de não ser, muda de nascença. Na verdade estava calada por não pertencer a quem a questiona. Por não se importar.

Foi por causa da minha ausência em ti que eu notei que tu não mais me pertencia. Mas acho que foi mesmo por causa dessa minha necessidade de descobrir a causa das coisas.
As coisas boas não se explicam. E eu sempre quero respostas.


As coisas boas só acontecem.
Eu deveria ter pensado nisso.

segunda-feira, agosto 23

"As coisas como são" - IV (estúpidas)

Porque a inocência foi deixada numa infância que já não dura mais depois dos 9 anos de idade. Essas crianças pseudo-adolescentes que nem ainda entraram na puberdade se revelam maliciosas e, aos meus olhos, perdidas.

Se elas ao menos soubessem a saudade que sentirão desse tempo sem responsabilidades e preocupações... Eu que tive infância (e uma boa) cresço saudosa, mas satisfeita. Já tem tanta coisa ruim aí fora, precisa antecipar todas as aflições de uma etapa que não lhes pertence?

Por favor, menina/menino, vai brincar de boneca/carrinho. Sério.

sábado, abril 24

"As coisas como são" - III

Tem dias que todas as casas nas quais você bate estão vazias, e as pessoas na rua apontam sempre pra mesma placa.

Acontece que você já sabe de cor o que está escrito na tal placa, e as casas estão desocupadas há alguns anos. Então você se pergunta de quem é a culpa, mas não sabe se o problema é bater sempre nas mesmas portas ou se recusar a entender o que dizem as placas.

De qualquer forma, no fim das contas, só existe um culpado.

terça-feira, abril 13

"As coisas como são" - II (na minha opinião)

Sabe o que mais me incomoda? Quem se faz de coitadinho e ainda acha que tem razão.

Isso é o cúmulo da cegueira moral.
¬¬'

sábado, abril 10

"As coisas como são" - I

Prometo minha postagem sobre o tema Palavras em breve; é que a coisa está meio corrida nesse fim de semana, e eu não posso deixar de ir ao jogo do Inter. xD

Esse post é só para expressar minhas conclusões sobre o churrasco de ontem, com os amigos do trabalho: é cada coisa que vou te dizer... entre cervejas, caipiras, misturas, tapas, xingamentos, risadas e "chamamentos de Hugo" (se é que você entende o que quis dizer) você conhece o lado desconhecido dos seus colegas de serviço, e, sinceramente, NÃO PODE deixar de folgar em todos eles depois.

Como já disse a minha inocente colega (de trabalho, área e nome) Gabriela, foi tenso.

Sem mais comentários.