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quarta-feira, agosto 7

Mas é hoje

Eu tenho um tanto.

Um manto,
um choro manso
um canto escuro
e outro claro.

Eu tenho um tudo

tão cheio,
tão meio.
receio
uma vida que veio.

Eu tenho um tanto de tudo,
hoje mais do que ontem e
eu tenho um tudo cheio de
tanto hoje, mais do que de ontem.

Um choro claro,
uma cantoria mansa.


Eu tenho um amor que não me cabia ontem.

Mas hoje é hoje.

segunda-feira, abril 22

Valsava

Dançava na valsa
o passo repetido
levada por outros
de sonhos despidos

De ventos soprados
e estranhos queridos
dançava a valsa
dos calos sentidos

No calor de uma hora
No desejo de um dia
O apuro do agora

Do tempo presente
e uma tristeza futura
sobrou uma valsa contente


Dançara com um coração sem mágoas.


uma valsa inventada
um sonho vivido
um estranho liberto
valsava a libido

quarta-feira, maio 23

Balada

E se a vida quiser brincar contigo?
Te fazer de boba, te jogar
de um lado para outro, e de novo
e de novo. E quem sabe,
mais uma vez.

E se a vida quiser te ver dançar?
Se ela escolher a música, e te jogar
de um lado pra outro, e pra outro e
pro outro. E quem sabe?
E quem sabe que outro?
Quem outro?

E se a vida quiser? Dancemos.
De novo.


E de novo, mais uma vez.
Quem sabe.

quinta-feira, outubro 13

De fora

Eu não estou disposta
a escolher um lado
Nem tomar partido,
ou juízo.
Ou ainda vergonha na cara.
Não estou disposta a oferecer a outra face
a um outro tapa, um outro corte.

Eu vou fazer de conta que não sei
das coisas
que se passam por detrás dos rostos
[que eu visto]
dos gostos
[que eu tenho]
e dos gestos, e trejeitos,
suspeitos. Culpados.

Eu não estou disposta a comprar a minha briga.

A minha vida.

E essa merda toda.


.

sexta-feira, outubro 7

Importa o oposto


Eu posso ser assim mesmo.
sentir aberto o peito, coração exposto, tapa no rosto. 
Eu posso viver desse jeito.
Sentido inverso, oposto
e esquecer das placas que orientam sobre a direção
correta.


Não sigo, incrédula
sou torta e assumo que posso ser assim mesmo
coração aberto, ferido
de corpo cansado.
Sigo mudando de esconderijo;
adaptando-me ao contrário. Arrisco.


Porque viver desse jeito eu consigo:
não posso sair é do inverso,
ou me perco
e deixo de ser, não existo.
Sou oposto. Exposta. 
Em risco




[Inconstante.]

quinta-feira, setembro 15

Tentei

E de tanto que corri perdi o passo


o compasso


e a compaixão.


E perdi a mão


a noção 


e um tal de vai e vem. Que só vai.