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segunda-feira, agosto 5

Do verbo "não"

Não, eu não vou repetir o teu nome; eu sei ele suficientemente bem. E sinceramente eu não gosto de dizê-lo. Me dá uma coisa ruim ainda... aquela coisa que eu não sei dizer se é indiferença ou só a falta de sentimentos bons. E, entenda, eu não gosto de sentir nada pelas pessoas.

Eu não sou dessas.

Então eu não vou dizer o teu nome, porque eu prefiro pensar que você não existiu na minha vida - é verdade. Eu prefiro acreditar que você foi produto de uma fantasia abobada e sem fundamento, uma coisa que não existiu de fato. Eu prefiro pensar que você é de mentira do que dizer o teu nome e perceber que o que vibra em mim é um vazio tão grande que já nem merece ser levado a sério.

Eu deixei de te levar a sério desde aquela primeira vez.

Então eu não vou repetir o teu nome. Eu não vou dizer um nada tão grande para que ele se ache  no direito de me preencher um dia. Eu não vou repetir um nome que não me diz nada de coisa nenhuma. Eu, sinceramente, nem sei quem é você.


Você nunca foi quem eu pensei que seria.
E eu não sou dessas que enche a própria vida de coisas vazias.

domingo, julho 29

Dreno

Vazios em cada compartimento, em cada jeito de olhar para outros. Sem graça. Não eram os mesmos abraços ou beijos, nem arrepios prazerosos subindo pelas costas até parar na raiz dos cabelos. Não eram os mesmos; nem eles, nem eu. Eram normais.

Eu, vazia, enquanto eles tentavam causar alguma reação menos mecânica. Tudo muito planejado, no piloto automático. Vazios em cada tentativa de preencher minhas vontades, eu devolvia a resposta lógica para cada estímulo. Sem fazer questão nenhuma de parecer satisfeita.

Desde que você resolveu me tirar o roteiro e exigir uma performance impulsiva, improvisada, não fui mais a mesma. Contigo foi pulsante, e agora com os outros nunca é mais que sem graça. Você provocou uma resposta inédita em cada toque, em cada jeito de me olhar. E então partiu e levou consigo as sinapses, esvaziando meus sentidos em cada vontade se ser inteira.


Agora todos os outros são normais. Vazios e iguais. Você levou a graça.

domingo, julho 1

Em falta

Foi a falta que voltou a ocupar os espaços do lado de dentro. Um grande vazio, quase material, ocupava cada fresta de cada parte, espalhando-se do peito para o resto do corpo. O resto que nem mais reagia; pensava estar ainda esperando pelos comandos de um sistema nervoso. Só que o sistema estava dopado; lhe faltavam as conexões.

Tudo estava em falta.

Não tinha mais aquele calor espalhando-se com o mesmo compasso que a pulsação. Faltava a emoção do contato e a expectativa do encontro. As pontes nervosas não se alcançavam mais, fazendo com que cada impulso se perdesse na tentativa da transmissão. Faltavam os planos pros dias ociosos. Era a falta que ocupava todo o lado de dentro, como um grande vazio quase palpável - um vazio cheio de nada que ocupa todo o espaço.

Havia muito em falta.


Faltava reação. Uma dor que doesse ou um alívio que libertasse.
Faltavam nervos.