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quinta-feira, abril 18

Menina,

Te escrevo porque hoje é um daqueles dias cinzas que você tanto costumava gostar. Um daqueles dias que a maioria das pessoas odeia, porque as deprime. Mas você não era dessas. Você era do tipo que andava feliz no dia feio dos outros, e até dançava discretamente na parada do ônibus enquanto o mesmo não vinha. Você era nublada; hoje lembrei de você. Mas o que aconteceu com você, menina?

Eu lembro muito bem do seu sorriso amarelado, acompanhado dos óculos escuros, passeando pelas ruas de todos os dias como se elas fosse completamente outras sem o Sol e sem a chuva. Só de cinza. Era você que dava a nuvens o poder de te fazer feliz. Eu lembro muito bem. Mas agora você me olha com outros olhos e me recusa um sorriso sincero porque faltou amarelo, azul e verde limão em mais um dia. E vê, quando sorri, sorri branco.

O que aconteceu com você, menina?

Eu não sei mais quem você é. Eu não sei mais dos teus gostos e desprazeres. Me fizeste de boba esse tempo todo ou tu sempre gostaste do oposto do que dizia preferir? Alguma coisa mudou em você, menina, alguma coisa te fez do avesso. Você agora gosta do Sol? Você agora mudou o tom da sua vida? Você agora encontrou um caminho pra seguir, depois que tudo insistir em mudar de novo?


E ainda vai me dizer que se sente feliz? Que raios aconteceu com você, menina?!

segunda-feira, março 26

Se a gente já não mais

Se a gente já não sabe mais andar pra frente
quem sabe a gente para um pouco e 
fica 
observando quem passa e quem deixa de ir. 
Se a gente já não pode mais sorrir a gente ri 
da gente, 
que tem gente que nem mais isso faz. 
E tem gente que faz demais, demais.

Se a gente já não pode mais seguir pra frente, 
a gente para, mas 
não volta. 
A gente fica observando todo mundo 
e escolhe a nossa hora. 

Não é meu dia que tá com pressa, 
não é meu sol que vai embora. 
Se minha lua não se mostra, 
eu recolho a minha estrela e deixo 
ela brilhar pra quem eu quero. 

Se a gente já não sabe mais brilhar pra quem se gosta -
daí a coisa é feia mesmo.

segunda-feira, novembro 28

Leaves in the river

Sabe o que é? Essa coisa que vem chegando, devagarinho, sem a gente notar. Essa sensação de que tudo pode melhorar se a gente abrir a janela pra ver o sol. Sabe o que é? Eu não sei mais o nome, do que se chama isso, mas é aquela coisa que dá na gente e parece que deixa as vibrações em harmonia.

Eu achei que você soubesse o que é, pra me ajudar a dizer. Aliás, você me ajudou a encontrar isso aqui; e obrigada por isso. Mas, sabe, acho que já tá na hora de soltar a corda do meu pescoço, e parar de me sufocar dessa forma. Sabe essa coisa que vem devagarinho, deixa tudo melhor e mostra como o pôr do Sol pode ser bonito de novo? Pois é... acho que você deveria sentir isso também. Permita-se.

Permita-me.


domingo, agosto 7

Resgate

Vira o sol brilhar com toda a energia que nunca tivera, e estendera-lhe a mão para ajudá-lo a puxar seu corpo para cima. O sol chegou e de repente resolveu que ela não poderia mais se esconder nas sombras do própria alma. O sol a fez erguer os olhos do chão, encher o peito de oxigênio e viver os dias de maneira menos pesada. Menos dolorosa. O clima frio compensado pelos raios da estrela completavam a outra metade do corpo, tentando ser mais forte.

Ela abriu os olhos para ver; abriu os sentidos para o mundo. Não importava o que sentiria, não seria mais a boneca de plástico. Tinha carne e ossos. E um imenso sistema nervoso.



Faltava-lhe apenas o coração.