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segunda-feira, maio 14

Sobre a linha

É só porque estava perdida, visto que não costumava ser boba do jeito que vinha sendo. Era porque a vida se rebelara e mostrara pra ela caminhos felizes, todos de uma vez só, mas esquecera de dizer que apenas um ou dois podiam ser tomados como destino. É só porque agora ela estava em cima da linha que separa o orgulho dos desejos, e a razão dos sentimentos mais simples, que não conseguida decidir entre preservar a imagem ou assumir um coração burro e desinteressado.

Ainda que ela estivesse farta das imagens.
Ainda que tivesse consciência que o coração não era tão desinteressado assim.

terça-feira, setembro 6

Caminho de pedras/perdas

E foi tão rápido que eu já nem acredito. Sabe quando você está indo na direção certa e de repente uma pedra gigantesca cai na sua frente? Ou melhor, cai na sua cabeça. Cai e quebra tudo, e ainda espalha todo o teu senso de felicidade no chão; faz tanto estrago que você já nem consegue se lembrar que direção estava tomando.

Para onde eu estava indo, mesmo?

Eu perdi o caminho. Desaprendi a caminhar. Parece que agora as coisas acontecem tão rápido que engatinhar - como eu tenho feito - não é nem de perto suficiente para alcançá-las. Alcançar aquelas coisas, entende? Aquelas coisas que a gente passa um tempão buscando até o dia que desiste e fica feliz com o que cai no nosso colo, sem nem recordar qual era o desejo no começo. Sem ter certeza - apenas esperança - de que aquilo que você tem é o que vai fazê-lo feliz.

Você é feliz?

Eu sinceramente não quero saber. Eu perdi a crença no meio dos estragos da pedra. Eu perdi o passo e o fôlego. E foi mais rápido de que eu pensei; mais cedo que o previsto. Eu juntei os cacos e não foi a mesma coisa, aí fiquei assim, quebrada; que nem brinquedo de aniversário que estraga no mesmo dia que é ganho - que desaponta e é esquecido em seguida.



Você achou o seu brinquedo novo?



domingo, julho 31

Cruzada

Chegara novamente à linha que separava as coisas. As coisas boas das coisas não tão boas; das coisas moribundas. Encontrava-se tão próxima da escolha errada que já nem mais sabia por onde voltar para antes da linha. Para antes do tempo em que a linha não existia, ou nunca fora vista.

Repensara seus passos, refizera seus caminhos calmamente. Como foi que chegara ali? A parte do percurso que a deixara onde estava não lhe era conhecida. Não lhe era amiga. Não era parte dela. A linha a encarava novamente, como se a desafiasse a cruzá-la. Como se olhasse em seus olhos e sem nenhuma palavra a convencesse de que era mais forte do que ela própria. Convenceria aquele par de olhos a entregar-se ao lado moribundo da linha e a reconfortar-se nos braços dos seus medos secretos, com os olhos tão cerrados que não mais abririam-se. Aqueles olhos desafiados.

Chegara novamente à linha que determinava as coisas. Que dizia se os passos iriam para frente ou se ficariam estacionados; ou se iriam para outra direção depois da divisória, que não chegava no lado agonizante mas que seguia rente a ele. Desafiou os passos. Cruzou a linha.


Andaria até chegar ao topo do precipício.