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sábado, janeiro 19

Desculpa

Sabota. Olha as fotos, olha os olhos; fecha os próprios e sente a boca. Sente aquela que sincronizou contigo os movimentos todos. Sabota. Enxerga o rosto, sente o gosto; sorri com os risos de todas aquelas fotos. Ri do riso que não é teu e lembra de sentir o cheiro leve que ficou nas roupas que tu tiraste; e te arrepende de não as ter tirado antes. Sabota.

Olha as fotos, olha os olhos.
Sabota.


Sorri pelo desejo e lamenta uma noite interminada. Te enxerga finalmente do outro lado do jogo. Do lado sujo, do lado que é julgado culpado. Te enxerga do outro lado e confessa que não dá bola. Sabota.


Sente a boca, e sabota.
Pode até ser culpada, mas pelo menos não tem o ar blasé da outra.


terça-feira, maio 15

Desabotoa

Isso, atira aí. Não vai cair, não, nem sujar; não te preocupa. Te preocupa em abrir essa minha blusa, que tem botões demais. Larga esse casaco em qualquer lugar, não tem problema. Depois a gente acha ele de volta. Vou largar tua camisa aqui mesmo, e daí tu pode voltar a te ocupar com a minha blusa. Eu cheguei a pensar que ela realmente tinha botões demais, mas achei que seria divertido te ver nessa ânsia. E tá sendo, sabe. Não, eu não estou sendo ruim... não me olha desse jeito. Ela sai por cima, se tu puxar. Viu só. Deixa os botões pra lá.

Tira. Atira ali.
A gente acende a luz depois e acha tudo; não te preocupa.