Tem dias que é isso mesmo. Assim; sem plano, sem fato. Sem eu deitada na cama, procrastinando a vida, e sem tu procurando as chaves do carro, correndo de volta pra rotina. Tem dias que a gente só fica; assim. Nesses dias a gente nem se mexe; e nem mete um na vida do outro.
Sabe, eu gosto desses dias.
Sem fardo, sem ato. Sem roteiro atando nossas pontas num final mal amado. Ficam os dias de hoje pra amanhã; e pra depois de depois de amanhã, quem sabe, a rotina. Eu tenho dias de esquecer de fatos.
Tenho planos de me meter com a minha própria vida.
Tem dias em que a cama fica vazia demais enquanto tu procuras as chaves da rotina. Então deixa pra amanhã, vai.
Você não tinha pensado em tudo. Mas achou que tivesse e se deu o direito de sonhar alto. Achou que tivesse cuidado de todos os detalhes, que tivesse organizado tudo direitinho, e que em algum momento - quando a coisa fosse sair de controle - haveria alguém que caridosamente iria lhe dizer que estava tudo bem, porque a ajuda viria.
Só que você não pensou em tudo.
E você não lembrou que talvez esse alguém não exista. Você não lembrou que houve um aviso, lá no início, que dizia que seria tudo por sua conta. Que você ia ter de se virar, e que o azar era seu. Foi nisso que você não quis pensar, porque achou que se tudo desse certo, dobraria certas pessoas e então tudo se resolveria.
Só que você não quis pensar em tudo, não é?
E agora já começou a sonhar meio alto demais. Mas você foi avisada que o azar seria seu. Então prepara o corpo, porque a queda pode doer bastante. Te prepara para abrir mão de uma série de sonhos, porque as coisas estão para acontecer e talvez aquela pessoa caridosa não venha lhe socorrer. Prepara o corpo, porque a queda vai te quebrar inteira.