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quinta-feira, abril 25

O que importa

Eu era criança e te disse não. Era o gênio difícil que tu vieste a conhecer bem, desde lá. Tu só querias me ter por perto, mas eu agarrei minha liberdade desde cedo e dei a mão pra vida, pra que ela me levasse pro longe que fosse - pra vida de quem houvesse.

Eu não era metade de gente, eu não tinha experiências que me falassem melhor. Eu era criança e te disse não. E agora, crescida, continuo indo pro lado mais longe; mas porque a vida me leva. Mas vê, pai: entende. Essa vida ia me levar de ti cedo ou tarde.

Tu pediste pra eu te dar a minha mão, e eu neguei, confiante. Eu tinha só 4 anos; mas jovem eu já sabia que um dia eu teria que andar sozinha. Eu já queria escolher as minhas estradas, e nelas eu imaginava que não teria guia.


Mas eu não te dei a mão porque tu já tinha o meu coração nas tuas.
E sempre vai ser isso que vai importar.


domingo, agosto 21

A vez das coisas todas

Então foi a tua vez de cumprimentar todos os colegas, caminhar até a mesa, usar o chapéu e pegar o canudo. Foi a tua vez de olhar aquela plateia cheia de gente orgulhosa dos seus queridos e agradecer aos teus pelo apoio, e vê-los se emocionando com a tua vibração, com a tua felicidade. Foi, então, a tua vez que respirar fundo e encarar todos que um dia duvidaram - e encarar a ti mesmo, por ter um dia pensado que tropeçaria e ficaria pelo caminho. Foi o dia do teu sorriso, do teu grande momento.

Então eu chorei com a tua felicidade e continuei te aplaudindo. Por todas as pequenas coisas que te levaram até ali. Por todas as grandes coisas que tu representas para mim. Que orgulho, pai.